Projeto Memorias

segunda-feira, 25 de março de 2013

ABGUAR BASTOS

Abguar B. Damasceno Bastos. Há duas datas registradas do nascimento do escritor: no livro Introdução à Literatura no Pará (da Academia Paraense de Letras) ele nasceu em 23 de janeiro de 1904; já no livro Dicionário de Escritores (Afrânio Coutinho) a data é de 22 de novembro de 1902. Faleceu em São Paulo em 26 de março de 1995. Foi um dos brasileiros mais brilhantes do século XX, tanto na Literatura quanto na Política, com extensa obra. Foi promotor público e tabelião no Estado do Amazonas. No Pará, foi jornalista e também Secretário da Junta Governativa Militar, em seguida, Chefe de Gabinete da Interventoria Federal (1930/1931). Titular do Segundo Cartório de Registro Civil da Capital e eleito deputado federal pelo Pará (1936/1937) até o fechamento do Congresso Nacional pelo presidente Getúlio Vargas.
Abguar Bastos foi um dos fundadores e presidente da UBE — União Brasileira de Escritores de São Paulo em 1942. Foi também membro do Instituto Histórico e Geográfico do Pará e de São Paulo. Pertencia às Academias Paraense, Amazonense e Paraibana de Letras. Recebeu o Prêmio Nacional Juca Pato, em São Paulo, como Intelectual do Ano, em 1987.
Ainda jovem, lançou na revista Belém Nova (dirigida por Bruno de Menezes) o Manifesto Flaminaçu, para solidificar o Modernismo de 1922, sendo um dos que melhor representou o Modernismo na Amazônia. Seu romance Terra de Icamiaba foi muito elogiado por críticos da época, chegando a ser comparado ao romance Macunaíma, de Mário de Andrade. Paulo de Oliveira disse que Abguar era um escritor dono de cultura invejável, conhecedor dos segredos da arte poética, ímpar, sem imitar ninguém. Recebeu várias premiações, dentre elas a Medalha de Cultura D. Pedro I e Medalha Euclides da Cunha.

Publicações:
Romance — Terra de Icamiaba, 1931; Certos Caminhos do Mundo, 1936; Safra, 1937.
Novela — Somanlu, o Viajante da Estrela; Cenci e Setrestelo; Jurupari, o Heroi das Sete Florestas; Quatro Fogos.

Sociologia, história e folclore — História da Política Revolucionária do Brasil — 1900-1932; A Pantofagia ou As Estranhas Práticas Alimentares na Selva; Prestes e a Revolução Social; Introdução à Litofábula; Mapa Nacional do Folclore; A África em nossa Linguagem; Costumes e Cultos.

ADALCINDA CAMARÃO


       Adalcinda Magno Camarão Luxardo nasceu em Muaná (Marajó) no dia 18 de julho de 1914. Faleceu em Belém do Pará no dia 17 de janeiro de 2005.

        Adalcinda foi poeta romântica e compositora. Estudou no Colégio D. Pedro II e também no Instituto de Educação. Despontou como poeta na revista de estudantes denominada “Terra Imatura”, no ano de 1938. Foi fazer seu mestrado em Educação e Linguística nos Estados Unidos em 1956, ficando lá até 1959. Neste mesmo ano foi eleita para a Academia Paraense de Letras para ocupar a cadeira 17, cujo patrono é Felipe Patroni. Era casada com o também membro da Academia Paraense de Letras, Líbero Luxardo, com quem teve um filho. Morou nos Estados Unidos, onde trabalhou como professora de Português para estrangeiros. Ensinou também literatura brasileira e portuguesa de 1960 a 1965.

      Lecionou em algumas universidades e centros de ensino americanos, tais como: Georgetown University, American University, Graduate School of the Agriculture Department, Arlington Adult Education. Também lecionou na Casa Branca para os assistentes dos presidentes Richard Nixon e Gerald Ford nos anos de 1974 e 1975.

        No ano 2000, após 44 anos nos Estados Unidos, a poeta voltou para Belém e faleceu cinco anos depois, com 91 anos de idade.

Publicações:

Educação - Brasil Fala Português. 1964; Comentários no Espaço e no Ar (At the Red Lights, em inglês), 1977).

Folclore - Lendas da Terra Verde, 1956.

Poesia - Despetalei a Rosa, 1941; Vidência, 1943; Baladas de Monte Alegre, 1949; Entre Espelhos e Estrelas, 1953 (Premiado como melhor livro do ano pelo Governo do Estado); Caminho do Vento, 1968; Folhas, 1979; A Sombra das Cerejeiras, 1989; Antologia Poética, 1995.

Teatro - Um Reflexo de Aço, 1955; O Mar e a Praia, 1956.

ALONSO ROCHA


            Raimundo Alonso Pinheiro Rocha nasceu em Belém em 15 de dezembro de 1926 e morreu na mesma cidade em 22 de fevereiro de 2011. Era filho do poeta Rocha Júnior e Adalgiza Guimarães Pinheiro Rocha. Foi casado com Rita Ferreira Rocha, sendo pai de cinco filhos.
 
          Na adolescência fundou a Academia dos Novos, juntamente com Jurandir Bezerra, Max Martins (seu primo) e Antonio Comaru. Foi eleito para a Academia Paraense de Letras no ano de 1963. Desde 1964 participou da diretoria da APL. Foi eleito o quarto Príncipe dos Poetas do Pará, numa eleição em que participaram duzentos intelectuais dos círculos culturais, científicos e sociais do Estado, pessoas essas ligadas às artes e selecionadas por comissão especial formada pelos escritores Georgenor de Souza Franco Filho, Pedro Tupinambá, Victor Tamer e Abelardo Santos. O resultado foi apurado em sessão pública em 08 de outubro de 1987. Alonso Rocha ganhou com a maioria dos votos, totalizando 56,77% do total de votos. Recebeu, em sessão solene em 1989, comenda de 35 gramas de ouro oferecida pelo governo do Estado do Pará.
        Alonso Rocha era um mestre do soneto, sendo considerado um dos maiores dos últimos cinquenta anos do Pará. Recebeu inúmeros prêmios, medalhas e diplomas literários. Sua obra vasta de poesia foi destacada nos vários concursos em que participou, dentre eles recebeu: Palma de ouro no Concurso de Poetas do Mundo Lusíada, da Academia de Poemas de Massachusetts (EUA, 1987) e do concurso Evolução da Cultura Brasileira, na segunda metade do século XX, do Cenáculo Brasileiro de Letras e Artes (Rio de Janeiro, 1993) e também foi 1º lugar do primeiro Concurso Nacional de Poesia do Clube dos Magistrados do Rio de Janeiro (1997).
      Atuou como bancário no sindicalismo de 1954 a 1976, foi membro fundador da Federação dos Bancários do Norte-Nordeste (Recife, 1958) e da Confederação de Trabalhadores nas Empresas de Crédito – Contec (Belo Horizonte, 1958), de onde foi diretor. Só deixou as atividades sindicais em 1976, por recomendação médica.

Publicações:
 
Ensaio - Bruno de Menezes ou a Sutileza da Transição (ensaio em co-autoria com Célia Bassalo, J. Arthur Bogéa, João Carlos Pereira e Joaquim Inojosa), 1994.
Poesia - Pelas Mãos do Vento, Belém. Prêmio Vespasiano Ramos de 1954 da APL e Prêmio Santa Helena Magno de 1955 do governo do Estado do Pará; O Tempo e o Canto, 2009.

ANTÔNIO TAVERNARD


         Antônio de Nazaré Frazão Tavernard nasceu em Icoaraci (na época, Vila de São João do Pinheiro), distrito de Belém em 10 de outubro de 1908, e lá faleceu em 26 de maio de 1936. Foi poeta, contista, dramaturgo e compositor. Estudou no Ginásio Paes de Carvalho. Organizou e fez publicações para o jornal G.P.C. dos estudantes da escola. Em 1926, ingressou na Faculdade de Direito do Pará, mesmo ano em que contraiu hanseníase, doença que o levaria à morte.
       
       Tavernard, ainda que tenha falecido muito jovem, destacou-se na literatura. Seus poemas, contos e crônicas fizeram sucesso na imprensa paraense nas décadas de 1920 e 1930. O livro de contos “Fêmea” foi o único publicado quando o autor ainda estava vivo (reeditado em 2011 pela Editora Paka-Tatu). Seu livro “Místicos e Bárbaros” só foi publicado em 1953, depois de sua morte. Também foi publicado postumamente o livro “Obras Reunidas de Antônio Tavernard, volume I, Poesia. Coleção Literária Paraense”, patrocinada pelo Conselho Estadual de Cultura.

Publicações:
Contos: Fêmea, 1ª. Edição, 1930; 2ª edição, 2011.
Poesia: Místicos e Bárbaros, 1953; Obras Reunidas de Antônio Tavernard, 1986.

ÁPIO CAMPOS


          Ápio Campos Paes Costa nasceu em Belém do Pará no dia 07 de julho de 1927 e faleceu também em Belém em 15 de abril de 2011. Foi poeta, contista, ensaísta, cronista, jornalista, professor, padre e cônego.

          Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico do Pará e da Academia Paraense de Letras, onde ocupou a cadeira de nº 30. Foi professor do Colégio Paes de Carvalho e do Seminário Pio X. Lecionou no Magistério Superior ministrando as disciplinas de Filologia Românica da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Pará. Também foi professor de Língua Portuguesa no Centro de Estudos Superiores do Pará e foi coordenador do curso de Teologia da Universidade da Amazônia (UNAMA).
Publicações:
 
Textos Católicos - Catecismo eleitoral cristão (doutrina social católica), 1960; Renascer pela água e pelo espírito (exposição sobre o batismo), 1970.
Contos - Olhos dentro da noite, 1959 (Prêmio Terêncio Porto da Academia Paraense de Letras); Fandango, 1967; Os anjos descem no rio, 1996.
Crônicas - Hora do ângelus (crônicas transmitidas pela Radio Clube do Pará), 1962.
Ensaios - A batina no banco dos réus, 1963; Problemas de educação e desenvolvimento na Amazônia, 1968; Crise ou falência da educação cristã?, 1971; O verbo e o texto (estudos linguísticos e literários), 1979; Universidade: Linguagem e Desenvolvimento, 1980; Universidade: Pesquisa e Pós-graduação, 1981.
Ficção - Aquele padre velhinho, 1956.
Poesia - Marítimas, 1955; Cítara em surdina, 1957 (Menção Honrosa da Academia Paraense de Letras); Rosa super rivos, 1958 (Poemas em latim, Prêmio Santa Helena Magno do Governo do Estado do Pará); Canto agônico, 1960; Pastoral das sombras, 1965; Transpoemas, 1979; Árvore do tempo, 1980; Trevos e travos (trovas), 1982; Cantigas pro menino, 1995; Ponte sobre as horas, 1999.

ARTHUR VIANNA

           Arthur Otávio Nobre Vianna nasceu em Belém do Pará em 11 de novembro de 1973 e faleceu no Rio de Janeiro em 11 de setembro de 1911. Estudou no Colégio Paes de Carvalho, antigo Liceu Paraense. Quando estudante, colaborava com artigos para o jornal estudantil “A Mocidade”. Também escrevia para a imprensa local. 
Formou-se como farmacêutico, e foi trabalhar no Serviço Público para sustentar a família, já que o pai falecera quando ele tinha apenas 17 anos. Era também um historiógrafo e literato de grande destaque em sua época. Foi fundador da Mina Literária, da Sociedade de Estudos Paraenses; e também do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico do Pará. Também foi um dos fundadores da Academia Paraense de Letras e renunciou à cadeira número 1 por julgar-se sem competência literária para tanto. 
Em 1899, foi nomeado diretor da Biblioteca Pública do Estado (que funciona hoje no CENTUR e foi batizada com o nome do escritor). Lá organizou e anexou o Arquivo Público.

Como redator-chefe do “Jornal do Comércio” publicou notícias referentes aos fatos de Belém e à política dominante, isso provocou indisposições com as lideranças governistas da época. Com isso teve que se transferir para o Rio de Janeiro em 1907, onde faleceu em 1911, deixando diversos livros inéditos.

Publicações:

Ensaios - Limites Pará-Amazonas, 1911; Notícias Históricas da Santa Casa de Misericórdia Paraense, 1902.

AUGUSTO MEIRA FILHO


          Augusto Ebremer de Bastos Meira nasceu em Belém no ano de 1915, vindo a falecer na mesma cidade em 1980. Filho do poeta Augusto Meira. Estudou no Instituto Nossa Senhora de Nazaré e fez o curso ginasial no Ginásio Paes de Carvalho. Formou-se em engenharia na Escola de Engenharia do Pará, em 1938. Foi Secretário da Assembleia Legislativa do Pará em 1935. Em 1943, foi nomeado diretor do Serviço Estadual de Água (hoje Cosanpa) fazendo inúmeras melhorias nos mananciais do Utinga e Água Preta, além da rede de bombeamento e distribuição. 
 
        Foi vereador por Belém e chegou à presidência da Câmara Municipal, onde conseguiu aprovação para vários projetos de preservação arquitetônica e paisagística de Belém. Foi membro da Academia Paraense de Letras. Sua contribuição literária é diversificada e vasta. Em seus poemas sempre exaltava a cidade de Belém, tendo recebido o título de “Namorado de Belém”. Ainda que poeta moderno, não deixou de lado o soneto, onde cantou sua cidade e reprimiu aos que a dilapidavam.

Publicações:
Ensaios - Evolução Histórica de Belém do Grão-Pará, 2 volumes, 1976; Mosqueiro — Ilhas e Vilas, Belém, 1978; Contribuição à História de Belém; Bi-Secular Palácio de Landi, 1973; Meu canto de Rua, 1980.