Projeto Memorias

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

REMÍGIO FERNANDEZ




Nasceu na Espanha em 1881. Faleceu em Belém do Pará em 09 de agosto de 1950. Veio para o Brasil em 1893, indo estudar no Seminário de Mariana em Minas Gerais. Cinco anos depois, sem se sentir preparado para a vida sacerdotal, abandona o Seminário e vem para Belém, onde se incorporou ao meio literário de maneira natural e definitiva.
Formou-se pela Faculdade de Direito do Pará e fez do Fórum seu campo de trabalho. Mas era em sala de aula que demonstrava seu maior talento: ser professor. Conquistou a cátedra de Latim do Colégio Estadual Paes de Carvalho através de Concurso Público
Era escritor, jornalista, crítico, poeta, além de advogado e professor emérito. Remígio Fernandes, em sua obra, era indiferente ao movimento modernista. Cultivou o soneto, preferencialmente. Utilizava na imprensa o pseudônimo de Tíbulo.

Publicações
Selva, poesias, 1919; Sol de Outono, poesias, 1922; Ocaso, poesias, s/d.




RONALDO BANDEIRA






Antonio Ronaldo Bandeira dos Santos nasceu em Belém do Pará em 12 de junho de 1943. Faleceu na mesma cidade a 30 de junho de 2008. Foi jornalista e escritor (poeta, cronista e romancista). Entre o Rio de Janeiro e Belém, cursou Comunicação Social (PUC-RJ), estagiou na Rádio Jornal do Brasil e atuou em jornais, revistas e editoras, seja como diagramador ou editando textos nas publicações. Em Belém ainda graduou-se em Economia pelas antigas Faculdades Integradas do Colégio Moderno (FICOM).
No Pará foi fundador e editor-geral do jornal “Diário do Pará”; trabalhou também em “O Estado do Pará” e “A Província do Pará”. Foi vice-presidente e depois presidente da Associação Paraense de Escritores (A.P.E). Também integrou a União Brasileira de Escritores, Associação Brasileira de Imprensa e Associação Brasileira de Jornalismo Científico.
Quando da edição do livro “Esquerda, Volver”, em 1992, o escritor e crítico literário Acyr Castro assim falou sobre Ronaldo Bandeira: “Um escritor que põe no papel sua visão de mundo como se a captasse, pura, espontânea, daquilo que lhe nasce ao olhar; o mundo ante os seus olhos atentos por entre compassivos e perpspicazes”. E complementa Castro: “A arte, segundo esse autor, alerta para o que ocorre em torno de si, só ganha significado se a vida tiver sentido”.

PUBLICAÇÕES:
Poesia – Canto & contracanto, 1980; Elegia Amazônica, 1985. Prosa – Mais infinito, menos infinito (romance), 1985; Esquerda Volver (contos), 1992; Os jardins de Getsêmani (romance), 2008.

SILVIO NASCIMENTO



Nasceu em 14 de setembro de 1882 na Vila de Moju e faleceu em 23 de maio de 1947 em Belém do Pará. Em 1898 matriculou-se na Escola Normal, recebendo o diploma de professor em 26 de janeiro de 1902, solenidade em que esteve presente o governador Augusto Montenegro e presidida pelo doutor Genuino Amazonas de Figueiredo, o Secretário de Justiça, Interior e Instrução Pública.
Exerceu o magistério público em grupos escolares e dirigiu o Externato Silvio Nascimento. Era um mestre exemplar, comunicativo e pontual. Suas aulas eram discursivas e inflamadas, parecendo estar em uma tribuna, brigando para incutir nos alunos um sentimento de patriotismo e amor àqueles que haviam construído a nacionalidade.
Foi poeta e prosador e publicou trabalhos em jornais de Belém com o pseudônimo de Dulcídio Flores.
Silvio Nascimento era antes de tudo um patriota. Sempre que queria, utilizava a poesia com desenvoltura, um verdadeiro lírico de corpo e alma.

LÍDIA
“Que te posso almejar, dileta filha,
senão, na vida, a grande fortaleza
de alma, a abençoada e larga trilha
dos que desejam da moral riqueza?

Evangelho de ardente maravilha,
o bem, provindo da áurea natureza,
é, por ti, Sirius fulgurante, e brilha
como uma estrela de maior grandeza...

Que te posso almejar? responde, dize...
- serenidade em toda ocasião
e fortaleza da alma em toda crise.

E segue a Rota, ao próximo acudindo,
tendo da fé explêndido clarão
e cada ofensa perdoando e rindo”
Publicações

Noções de História Pátria, 1920; Matizes (poesia) e Conferências — inéditos.

TENREIRO ARANHA


 



Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha nasceu nasceu em Barcelos,. Amazonas, em 4 de setembro de 1769 e faleceu a 28 de novembro de 1811. Foi escritor, poeta, autodidata, político, escrevendo poemas, dramas e discursos. Como assinala Clóvis Meira no segundo volume de “Intirdução À Literatura No Pará”, Tenreiro Aranha é “considerado o mais antigo poeta autóctone da planície amazõnica”. À época em que nasceu o escritor, explica Meira, “o Amazonas ainda não havia se desmembrado do Pará, momento histórico que só ocorreu em 1750”, justamente quando o filho de Aranha (João Batista) tomou posse como governador da nova província.
Literariamente sua obra está ligada, como observa Clóvis Meira, ao Romantismo. J. Eustáquio de Azevedo, em seu livro “Literatura Paraense” destaca as qualidades de Tenreiro Aranha: “(...) aliava às qualidades de poeta, as de prosador e tribuno, sendo uma prova deste asserto o breve discurso inserto no volume póstumo de suas obras, e que é um modelo de estilo clássico apreciável”. Essas obras reunidas foram editadas em 1850 pelo filho João Batista após a casa deste, em Belém, no antigo Largo da Memória, hoje praça Infante Dom Henrique, no bairro de Nazaré, ter sido “varejada pelos cabanos em 1835, e no ano seguinte invadida por soldados do governo”. Abaixo o soneto escrito pelo poeta e dedicado à memória de sua mulher Maria Bárbara:
Se acaso aqui topares, caminhante,
Meu frio corpo já cadáver feito,
Leva piedoso, com sentido aspeito
Essa nova ao esposo aflito, errante.

Dize como de ferro penetrante
Me viste, por fiel, curvado o peito,
Lacerado, insepulto, e já sujeito
O tronco frio ao corvo altivolante.

Que no momento inumano, declara
A mão cruel me trata desta sorte
Porém que alívio busque a dor amara .

Lembrando-se que teve uma consorte
Que, por honra da fé que lhe jurara,
Á mancha conjugal prefere a morte!


PUBLICAÇÕES – Obras literárias de Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha, 1989.

UBIRATAN ROSÁRIO







José Ubiratan da Silva Rosário nasceu em Viseu em 7 de junho de 1938 e faleceu em Belém a 24 de outubro de 2009. Escritor, professor, jornalista e pesquisador da cultura brasileira. Sua formação escolar deu-se em Bragança, Castanhal, Santarém e em Belém no tradicional Colégio “Paes de Carvalho”. Grraduou-se em História, pela Universidade Federal do Pará (UFPA), em 1964. Aprovado em concurso público, passou a lecionar História Medieval, Antropologia, Folclore e Cultura Brasileira. Em 1974 obtém a especiaização em Geografia Agrária pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA), Como jornalista trabalhou na “Folha do Norte” e em “O Estado do Pará”, além de colaborar em diversos outros órgãos da imprensa do Pará.
Pertenceu a diversas instituições culturiais como Associação Internacional de Lusitanistas (AIL), Conselho das Comunidades Luso-Brasileiras, Associação Brasileira de Antropologia (ABA), Instituto Histórico e Geográfico do Pará, Comissão Paraense de Folclore, Academia Paraense de Jornalismo e Associação Paraense de Escritores (APE).
Multiprermiado, Rosário obteve da Academia Paraense de Letras os seguintes prêmios: primeiro lugar no prêmio “Elmano de Queiroz” (Teatro, 1978) para “O Lorde e a Esquadra Fantasma na Amazônia”; Menção Honrosa para “Belém, Urbe Amazônica” (1980) no prêmio Samuel Wallace Macdowell, obtendo neste prêmio o primeiro lugar em 1985 com “Cultura Brasileira”. Da Academia Brasileira de Letras obteve o prêmio “José Veríssimo”, com a obra “Amazônia - processo civilizatório: Apogeu do Grão-Pará”, em 1983.


PUBLICAÇÕES
Ensaios – Independência do Brasil, 1974; Amazônia, Processo Civilizatório, 1986; Cultura Brasileira – Estudos e Roteiros de Aula, 1989; Cultura Brasileira, 1993; Saga do Caeté, 2000.

WILSON FONSECA







 

Wilson Dias da Fonseca nasceu em Santarém em 17 de novembro de 1912 e faleceu em Belém no dia 24 de março de 2002. Foi maestro, compositor e escritor. Consta que compôs mais de 1.700 músicas. Inspirado compositor, Isoca, como era carinhosamente chamado por familiares e amigos, se utilizava das lendas, dos mitos, dos temas folclóricos da Amazônia para se comunicar através das canções. Na sua terra natal há uma escola de música que leva o nome do maestro, atestando sua importância para o Pará. Foi funcionário do Banco do Brasil desde 1941 até sua aposentadoria em 1972.
Músico autodidata, Isoca era filho de músico: seu pai foi o maestro José Agostinho da Fonseca (1886-1945). Wilson Fonseca integrou a Academia Paraense de Música, ocupando a cadeira nº 24, a qual tem como patrono seu pai e sendo atual ocupante Vicente José Malheiros da Fonseca, filho do maestro e músico também. Na Academia Paraense de Letras ocupou a cadeira nº 7, sendo empossado a 15 de setembro de 1995.
Em “Ritmos & Cantares” o memorialista Alfredo Oliveira, citando Vicente Salles, lembra que este assim definiu o mestre Isoca: “É uma oferenda musical de Santarém”. E ressalta Oliveira: “Ouso acrescentar que ele me parece um Ernesto Nazareth batizado pelas águas tapajônicas”.

PUBLICAÇÕES
Prosa - Meu Baú Mocorongo (6 volumes), s/d.

YARA CECIM






Yara de Araújo de Souza Cecim nasceu em Santarém no dia 13 de maio de 1916. Faleceu em Belém do Pará em 26 de outubro de 2009. Foi poeta, contista, artista plástica e pesquisadora. Segundo o escritor Nicodemos Sena – também santareno - “através da pena mágica de Yara, o impossível aconteceu, isto é, o portentoso contexto amazônico (com suas vastidões e belezas naturais), que sempre desorientou a quantos se atreveram a desenhar literariamente a vida amazônica, desta vez não invadiu o texto, mas encontrou a sua expressão mais cabal e adequada”.
Falando de uma Amazônia povoada de mitos e seres fantásticos, Yara Cecim também é assim definida pelo falecido escritor Ápio Campos: “(...) seu realismo fantástico tem cheiro de mato e sopra sobre o leitor o hálito das ilhas e dos seres estranhos que as povoam”. Com seu estilo peculiar de escrita a autora foi distinguida com Menção Honrosa pela Academia Paraense de Letras no concurso Samuel Wallace Mac Dowell de 1987 com o livro “Taú-Taú e Outros Contos Fantásticos da Amazônia”.


Publicações
Poesia - Folha de Outono, 1983; Arabescos, 1991. Contos - Taú-taú e outros contos fantásticos da Amazônia, 1989; Histórias daqui e dali, 1993; Lendário, 2004.